segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O Dia "E" da Educação em Capelinha

No último dia 25 de Novembro a população capelinense realizou a mis expressiva manifestação do Movimento A UFVJM É NOSSA. O Ato aconteceu na praça do Povo, em Capelinha, e reuniu cerca de sete mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar. O Objetivo era chamar atenção para a luta da cidade que reivindica um campus da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Estiveram presentes alguns deputados, entre eles Reginaldo Lopes, presidente do PT/ Minas, que já havia marcado presença no encontro organizado pela articulação do Movimento de Araçuaí. Na ocasião ficou acertado que uma comitiva irá à Brasília se reunir com a Secretario de Ensino Superior, do MEC, Prof  Luiz Cláudio Costa.


Veja abaixo pronunciamento de Maria do Rosário Sampaio(Zara Sampaio) ,Pesquisadora da FUNDACENTRO/MTE,doutoranda do PPGSS/UERJ,ex-bolsista FAPERJ  e líder do Movimento A UFVJM É NOSSA.
TEXTO QUE ORIENTOU A FALA DE  ZARA SAMPAIO NO DIA E DE EDUCACAO DO DIA 25 , EM CAPELINHA E EM NOME DO MOVIMENTO A UFVJM É NOSSA!



              Mulheres e homens do bom combate do Vale do Jequitinhonha ,Mucuri e Rio Doce. Minhas conterrâneas, homens de Capelinha,jovens e crianças desta terra que merece o melhor.Senhores Representantes eleitos em uma democracia capitalista e, portanto, democracia limitada. Meu nome é Maria do Rosário Sampaio, trabalho na Fundacentro, Ministério do Trabalho e faço doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Estas instituições sustentam meu trabalho de pesquisa em Capelinha.  A primeira atitude é sempre agradecer a todas e todos que acreditaram na proposta que veiculei na Radio Aranãs em 07/10/2011, logo após a reunião do Conselho Universitário, quando Jailson Pereira nos concedeu espaço em seu programa. Alias, agradeço muito a Rádio Aranãs, através de Camélia Sampaio, que foi parceira de primeira hora desde o inicio de minha pesquisa, em novembro de 2011, e que terminou resultando nesta movimentação Jequitinhonha a dentro que hoje se assiste 

E que pesquisa é esta? Bem, nascida aqui em Capelinha, eu sempre vi minha mãe e suas comadres da roça e da cidade trabalharem muito, lutarem por sua independência financeira. Eu sempre vi as mulheres da zona rural movimentarem a feira livre aos sábados com produtos do seu trabalho. Por que então as mulheres do Jequitinhonha foram apelidadas de viúvas de maridos vivos como se vivessem a espera de uma pensão ao final de cada mês e nada fizessem? Decidi mostrar outra mulher que do Vale brotava: não só aquelas marcadas pela história de migração e que trabalhavam, mas, também aquela que exercia liderança em alguma esfera de poder. A principio iria investigar mulheres com este perfil em Berilo, Araçuaí e Itinga porque era importante a variável “migração”. Em conversa com amigas, soube da existência de mulheres aqui em Capelinha com o perfil que eu procurava. Decidi ,então, que seria Capelinha a cidade amostra da pesquisa .
Depois de longas conversas sobre trabalho e vida com o grupo de mulheres selecionadas, estas, ao serem indagadas sobre seus sonhos, disseram-me que era estudar filhos ou netos em Universidade ou em Capelinha ou em cidade mais próximas, porque para elas, nem o PROUNI resolveria. E que seus filhos /filhas formavam no segundo grau e continuavam a migrar do mesmo jeito que o avô, o pai, por falta de estudo. Concluído o trabalho de campo, voltei a BH e comecei a enviar mensagens pedindo apoio aqueles que tivessem poder político, prestígio e dinheiro. Alguns responderam, outros não. Enviei cartas a muitos deputados e a Presidente Dilma também. Enviei mensagem ao Instituto de cidadania,do Presidente Lula. Então, este pleito de Capelinha por Universidade já era conhecido da Presidente e do MEC desde Janeiro. E tenho respostas tanto da presidente Dilma quanto do MEC. Como justificar então que a expansão se dê nos atropelando a todos os do Jequitinhonha? Nada de pólo nem para o Alto, nem Médio, nem Baixo e nem sequer uma explicação razoável para tal medida? Se indagarmos aos deputados da situação porque razão Dilma quer desfazer compromisso de Lula com o Jequitinhonha, eles não saberão responder. Se indagarmos porque deixaram, também ficarão constrangidos. Se dirigirmos a pergunta para os deputados de oposição, com maioria de votos na região, a coisa ainda fica pior: onde estavam que não viram o ocorrido? Onde estava ,por exemplo, Fabinho Ramalho, do PV e seus 52.209 votos na região? Ou Ademir Camilo do PDT, com 36.903 votos, Bernardo Santana, do P R e seus 35.779 votos, Rodrigo de Castro, PSDB e seus 29.559 votos, ou Leonardo Monteiro, do PT com 20.904, Marcus Pestana, PSDB 12.274 votos e tantos outros que aparecem no Vale de quatro em quatro anos?
Por favor, senhores deputados, expliquem para as suas próprias consciências como permitiram que a Presidente Dilma tirasse do Jequitinhonha o que ele ainda não tem? Pior: como a Presidente Dilma destrói o projeto de desenvolvimento social que o ex-presidente Lula criou para o Jequitinhonha? E a Presidente Dilma conta com a conivência de deputados do PT e com a omissão de quem se diz oposição? Nós queremos a execução do projeto original do qual meu companheiro de luta -Banu- já mencionou: expansão Jequitinhonha a dentro! Um pólo para Capelinha que atenderá os Vales do Mucuri e Rio Doce, outro para o Médio e outro para Baixo com possibilidades de atender o sul da Bahia. Que a Presidente Dilma se arme de coragem e faça passar o projeto da Universidade Federal do Norte de Minas Gerais. Nós não somos o Norte, nós somos o Jequitinhonha, aquela porção geográfica que ficou interditada a todos os demais brasileiros até 1860 em razão de sua riqueza… Até quando pagaremos o preço desta interdição? Já pagamos muito caro por ter tido muito diamantes e índios indomáveis. Já passa da hora do Brasil e Minas incluir o Jequitinhonha em seu mapa. Como Lula tentou fazer. Não é possível acreditar que será Dilma que o expulsará de novo …
Por fim, resta dizer que como liderança do movimento a UFVJM é nossa não vou me compactuar com quem usa a fé e a esperança do povo a troco de voto: não creio que a promessa de tantos pólos ou IFETS seja verdadeira… A promessa veio muito rápida e exagerada. O santo desconfiou. Por isso, nós temos que seguir a luta.O Vale inteiro,unido e fortalecido.. Não seremos mais o curral eleitoral barato. Nosso voto deve ser de quem nos traz benefícios maiores: universidades, Hospitais regionais, empreendimentos sustentáveis ou de quem, no mínimo, nos respeite, não nos tomando o que ainda nem temos.Nada mais será como antes agora que temos facebook e ninguém poderá deter a primavera do Jequitinhonha que só está começando .. Muita água ainda baixará neste solo, mas, nossos pólos virão.Nós, Jequitinhonhenses,lutaremos por eles.E que nenhum presidente da república, deputado ou reitor ouse mais nos tratar como gado de segunda!
É como Cidadãos e cidadãs de primeira que o movimento A UFVJM é nossa ! vem apresentar aos deputados de situação e oposição – ambos em dívida com o Jequitinhonha- a seguinte proposta : formação de frente suprapartidária para aprovação de projeto de Universidade Federal do Norte de Minas Gerais que poderá dar suporte ao projeto de exploração minério de ferro das empresas de Eike Batista ,este empresário que herdou da ditadura o mapeamento das riquezas minerárias brasileiras. ..E deixem a nossa Universidade em paz!
Que vocês deputados, como nossos representantes que são, pressionem o MEC a executar o projeto original de expansão de UFVJM que Lula nos deixou: nossos três pólos Jequitinhonha adentro.Um deles ,eu sei que nos defende: Dr Jean Freire.

Gostaríamos de ouvir os que os deputados acham de nossa proposta. Um milhão de pessoas são o Jequitinhonha e Mucuri.Tratem de nos respeitar!Afinal, não são nossos representantes? Representem-nos, então!

OBRIGADA! A luta, Jequitinhonhenses
À luta, mulheres guerreiras!

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