segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Movimento A UFVJM é Nossa! Histórico:Antecedentes,Atores Sociais e Ações



 Como ser dotado de consciência e por saber-se assim,o humano a tudo interroga a origem,bem como as razões primeiras e últimas  de cada ocorrência que altera seu cotidiano.E,cada um com as armas de que dispõe, tenta  encontrar a versão que lhe parece mais prenhe de verdades (factuais ou não).Com o nosso movimento nao poderia ser diferente.Pela dimensão social que este  alcançou,num País que adota o   sistema de "representação politica" (democracia,neste caso,é uma antinomia)o que nao lhe faltam são autores de primeira hora.Apesar do expresso em  legislação em vigor,o  habitual ,no Brasil,são campanhas eleitorais antecipadas .A lei eleitoral.Ora,a lei...

Entretanto,sob nossa análise,o embrião do que veio a se chamar de  Movimento "A UFVJM é Nossa!” fora alimentado por intervenções de pesquisa de campo intitulada "De viúvas de maridos vivos a mulheres guerreiras: processo de reprodução social em famílias de migrantes do Alto Jequitinhonha" ,desenvolvida em Capelinha  ,no período de Novembro/2010 a Março de 2011.Os sujeitos de pesquisa,grupo de mulheres marcadas pelo fluxo migratório, dependentes de trabalho para autosustentaçao e familiar e, ao mesmo tempo,líderes em alguma esfera social ,em muito diferiam do estereótipo que as mídias   lhes colocam quando as retratam como "viúvas de maridos vivos",como se estas vivessem de pensão mensal ou se nada produzissem...a nao ser filhos.Há muito em comum entre elas,inclusive o sonho de que seus filhos possam  aceder à universidade pública na própria Cidade,já que não veem o PROUNI como solução ,pois nao dispõem de recursos que este  requer.Para elas ,uma universidade poderia estancar o fluxo migratório do qual sua família tem historicamente participado.Além disso, sabem que as inovações técnicas-científicas, cada vez mais rapidamente, expelirão  a força de trabalho dos processos produtivos.

Assim,após muitas entrevistas e convites para debater soluções para a questão ,decidiram reunir para falar do sonho acalentado, ocasião em que foi marcada a primeira reunião.Desta participaram as mulheres do grupo de pesquisa e outras que compartilhavam do mesmo desejo . Àquela altura,já se sabia que  estavam dispostas a lutar pela universidade pública  em Capelinha.Observava-se ,então,que a necessidade apontada pelas  mulheres entrevistadas ultrapassava as barreiras geográficas e sociais,pois aquelas que ali estavam representavam ou associações comunitárias rurais, associação de mulheres da zona urbana,mulheres sindicalistas e professoras.A primeira reunião ocorreu na sede do sindicato dos trabalhadores nas indústrias extrativas de Capelinha.Ali estávamos nós,eu, Maria Pereira da Silva,Maria de Jesus Peçanha Rodrigues,Maria dos Anjos Soares,Vicência Luiz Magalhães,D. Ude Pimenta de Figueiredo,Prof Maria Eunice Barbosa Fróes,Neusa Martins Ferreira,Maria Cristina Martins Santos,Maria de Lió,Gecy Souza, Elza Aparecida Sampaio,Selma Alves Ferreira.Em meio às mulheres,estava Terezino Cordeiro,presidente da FTIEMG que também compartilhava do mesmo sonho.Neste mesmo dia foi criado o Grupo de mulheres mobilizadas pela educação superior pública em Capelinha,cabendo-lhes ,como tarefa inicial, coletar assinatura de adeptos à causa e envio da documentação produzida às autoridades competentes( MEC/Prefeitura).

Coube-nos contatar os órgãos afetos à área , instituições da sociedade civil-politica(hegemonia),atores sociais com suficiente poder político para bem encaminhar nosso pleito.E assim o fizemos : enviamos mensagem a muitos que pautam "o andar brasileiro " seja pelo prestígio, seu poder econômico ou político.Ou ambos? E,claro,enviamos carta à Presidente Dilma Vana Roussef e todo o aparato de Estado e,principalmente,ao Ministério da Educação (órgãos e conselhos) e seu ministro, Prof. Dr Fernando Haddad.A Presidente Dilma,pela assessoria,respondera dizendo ser este assunto esfera exclusiva do MEC.O segundo,pela SESU, dissera que estudaria o pleito em questão porque o Brasil vivia uma fase de expansão do ensino superior.Com efeito: em agosto de 2011,a Presidente Dilma anunciava que a expansão da UFVJM não contemplava o seu próprio território.Tal notícia nos causou profunda e justificável consternação : O Jequitinhonha fora novamente excluído? De novo!??!! 

Na mesma semana do anúncio presidencial,postamos a nossa indignação em página do facebook e ali mesmo encontrávamos o outro fio que dá seqüência à nossa história : Álbano Silveira,Banu, respondeu no mesmo tom e dose de insatisfação com as decisões reveladas pelo governo.Ali,na mesma hora e juntos,decidimos lançar uma petição pública on line, http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N13546
a qual marca a criação do  movimento “A UFVJM é Nossa! Éramos então um grupo pequeno,mas,muito produtivo : Eu,Albano Silveira,Eric Renan Ramalho,Bernardo Vieira,Pedro Higino Freire,Omar Freire, Marta Sampaio,Douglas Lima,Anna Angélica Soares, Francianny Bezerra,Marlice Ornellas,Hélio Silva, Fábio Xavier (moderador do blog avança Jequi,onde reuniões on line aconteciam inicialmente)etc.Em encontros diários via facebook, discutíamos as estratégias para enfrentamento da questão , elaborávamos documentação a ser enviada à Reitoria e  Conselho Universitário- CONSU da UFVJM.Em nome deste mantivemos correspondência com o Reitor da UFVJM, participamos de reunião de CONSU quando foi anunciada a decisão de acatar nossa reivindicação: instalação de 3 (três)campi da UFVJM no Jequitinhonha adentro.Assim que esta decisão se tornou pública,Vale do Jequitinhonha se envolveu completamente na luta ,quando o movimento 'A UFVJM é Nossa!" recebeu adeptos de todos os matizes ao longo de poucos meses.Este diferencial faz dele um movimento social de largo espectro já que possui simpatizantes ao longo de todo o Vale,com seus representantes atuando,principalmente nas cidades de  Capelinha,Araçuaí , Almenara e cidades vizinhas  que as apoiam na luta por sediar campus da UFVJM. Estas são  sedes das três microrregiões e  se irmanam numa   luta que é de todo Vale do Jequitinhonha.

De  modo coletivo e articulado ,os que participam do "Movimento A UFVJM é Nossa!"em  Capelinha, Araçuaí ,Almenara e cidades que lhes apoiam buscam resgatar para o Jequitinhonha o direito que lhe  foi sonegado: ter campi de sua Universidade em seu próprio território .Se por um lado, o 'A UFVJM é Nossa! amalgame e expresse as necessidades de um povo com o qual o  Estado (e sua elite) contraiu enorme dívida social ainda nao paga,sendo a sua causa propriamente dita  muito útil aos interesses eleitoreiros (e a outros ainda mais mesquinhos) ,por outro lado,o Jequitinhonha saiu mais fortalecido a partir do que viveu os últimos 6 meses.

Finalizamos com algumas conclusões muito particulares: O Vale do Jequitinhonha nao se conhece  no todo e por isso se estranha, as trocas sociais e a  articulação política intra regional são soluções  para o reconhecimento do Vale como região portadora de direitos;se este é estranho ao Vale em período eleitoral,o Vale é que lhe será estranho quando em Brasilia e,por fim,a juventude organizada tem em seu destino criar um outro Jequitinhonha para a próxima geração: de um modo geral,desde a ditadura que a nossa falsa representação política nao muda de mãos.Já passa da hora de perder tantos estes anéis,quanto estes  dedos que os exibem.O que o Jequitinhonha perderia se perdesse tais políticos

Por Maria do Rosário Sampaio- Jornalista,Pesquisadora FUNDACENTRO/MTE e Doutoranda PPGSS/UERJ,ex-bolsista FAPERJ.

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