Nesse processo de avaliação ponderamos, com a racionalidade que o tema sugere, questões que merecem reflexão de todos os envolvidos. Algumas dessas posições já se encontram postas no interior da própria universidade, a saber:
1. Uma das correntes internas desta Universidade, apropriadamente, indaga em seu texto publicitário: “Por acaso, outras universidades que se expandiram mudaram de nome? Por ex: UFSJ, UFV, UFMG?” e dirigindo-se ao cerne do problema questiona o ser mesmo – a essência – da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: “Os Vales do Jequitinhonha e Mucuri não foram a justificativa para a criação da Universidade? E o nosso papel social com a região?”. Aqui, com os créditos devidos, fazemos coro à corrente já mencionada quando ressaltamos a imensa função social de uma universidade sediada em regiões marcadas pelos problemas como os que caracterizam os dois Vales.
2. O plebiscito proposto pelo Reitor Prof. Dr. Pedro Angelo A. Abreu, a ocorrer segundo o revelado em texto veiculado pelo blog www.ufguimaraesrosa.wordpress e na modalidade ali expressa, já apresenta problemas desde sua concepção, cujas orientações contrariam a prática desse instrumento, a começar pela proposta em si: ao invés de se circunscrever a um único tema, a proposta de plebiscito que ora nos ocupa amplia as escolhas quando propõe que ali se decida acerca de 3 temas, se considerados ou o antropomorfismo ou o georreferenciamento. Assim: a) necessidade de um plebiscito ou não; b) substituição do nome UFVJM por nome de um político; c) substituição do nome UFVJM por nome de um intelectual. Não há a possibilidade de se escolher o nome atual, isto é, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucu ri (UFVJM).
Sob o nosso juízo, os nomes dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri em nossa Universidade não têm causado qualquer impasse e, por isso mesmo, cremos que a proposta plebiscitária é totalmente dispensável. Mais serviria ao Brasil se o tempo precioso dos servidores, já tão atarefados em tempos de produtivismo acadêmico, não fosse diluído em plebiscito tão desnecessário quanto prejudicial às relações sociais que devem, necessariamente, existir entre qualquer universidade e sua população circundante.
Ademais, importa lembrar que se trata de modalidade plebiscitária inédita no Brasil, uma vez que o seu primeiro propósito é tão somente a incorporação de antropomorfismos inexistentes nas Universidades do Estado Brasileiro e a extração do georreferenciamento que hoje a qualifica, aliás, dentro do critério adotado pela União desde a Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
3. Chamam atenção a extemporaneidade e a questionável teleologia subjacente à proposta plebiscitária ora em debate.
Face ao exposto, cremos que a proposta plebiscitária consegue ser, paradoxalmente e a um só tempo, despropositada, caótica e prejudicial aos Vales do Jequitinhonha/Mucuri, regiões que fundamentam a criação da UFVJM e sobre a qual paira a ameaça de extinção. Outro nome? Tudo começará do ponto zero. Em seus 6 anos, nada foi fácil. V. Sas. bem o sabem.
Por outro lado, perguntamos sobre a legalidade e real necessidade de mudar o nome de uma universidade cuja criação requereu, além de uma longa e árdua luta, a redação de projeto de lei submetido e aprovado pelo Congresso Nacional. Em face deste detalhe de total importância, qual seria a resolutividade de um plebiscito que fere o direito administrativo e o princípio de Estado?
De todo modo,os Vales votam NÃO. E vêm até V. Sa solicitar apoio esperando receber tanto sua compreensão quanto adesão à luta dos Jequitinhonhenses e do Mucuri, quando pedimos que nos representem neste processo optando pelo NÃO.
Que se juntem todos os que anseiam que os Vales do Jequitinhonha/Mucuri superem suas mazelas alimentadas pela lassidão de um Estado omisso. Juntos, podemos lutar para reduzir nossas dificuldades e alcançar os avanços sociais de que nosso povo tanto reclama e necessita.
Como se sabe, ao nos faltar a educação superior pública e de qualidade, as chances de desenvolvimento social se esvaem por nossas mãos. O que pretendemos é que o Estado Brasileiro, que pouco contribuiu para o desenvolvimento social dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, não venha agora lhes retirar a única iniciativa governamental significativa em mais de 200 anos.
Diga sim ao resgate da divida social do Estado Brasileiro para com os povos do Vale e NÃO ao plebiscito do Sr. Reitor Prof. Dr. Pedro Angelo.
Os ventos dos Vales ecoam um só brado no Jequitinhonha e Mucuri: NÃO AO PLEBISCITO!
Na expectativa de sua compreensão para com a nossa luta e de sua ciência quanto à razão que nos move, somos-lhes agradecidas.
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